Diga-me madrugada, por que tanto silêncio?
nada zune no céu, nem ecoa, ou destoa/
tudo vaga solenemente/
estrelas, astros, asteróides/
poeira cósmica/
Ariádne, ferragens/
meteoros/
Ondas de rádio/ radiação
balão proibido de São João//
Vagam também os pensamentos/
fluem desencontrados
alegres ou tristes/
profanos ou glorificados/
loucos
criativos
criminosos
malcriados
(O silêncio do universo é a essência da solidão de Deus)
Já passam minutos desde a hora primeira do novo dia
e nada de novo em Órion ou Escorpião/
Apenas luzes renitentes que vagam absortas em nada/
Insignificâncias
brilho difuso
satélite de Canaveral/
desnudando a Terra/
retransmitindo o carnaval
(voyeur na vastidão das galáxias)
Volto à cama inóspita
e deito-me ao lado da mulher amada/
Ela tem a face crispada/
metade enfiada no travesseiro perfumado/
mas a boca entreaberta,
fria,
revela o secreto fim/
A paixão e o desejo já partiram//
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