ouro fugaz/
gás/
e a trempe crepita ao fogo/
Frigir de ovos
veias esturricadas
fuligem
enjôo
vertigem/
As enzimas violentadas implodem/
plástica encardida
de pastéis bêbados/
calombos de vento
que dançam
em borbulhante óleo de escuridão sem fim/
Arrôtos amargos
azia
gôgo
refluxo da saliva verde
que brota de profundezas dilapidadas
vidas saturadas/
Depois
a putrefação do fígado
de aminoácidos reféns/
e tripudia assassina
a macilenta borra de banha translúcida/
cheiro doce de vela/
A fome é demente/
atroz e impertinente
súbita
voraz/
E mais louco ainda/
mais/
é quem na ceia envenenada
se satisfaz//
Se a vida começa pela boca/
a morte também/sim
são ventres protuberantes
inchaço
lerdeza/
enfastiado bocejo/
nenhum desejo mais/
Comida doente
fritura
tritura
rojão/
Dor de barriga profunda
fedor/
peido/
peidão//
Estalam gemas douradas/
boiam pastéis bêbados/
óleo de escuridão sem fim//
30/10/2002
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