segunda-feira, 1 de março de 2010

Vaidades

A flor
olha para o céu/
o céu finge que não vê/
e acena ao sol
mas o astro-rei não sorri mais/
não enxerga abaixo do nariz//

Enquanto isso aviões de guerra sobrevoam o mar do Golfo
E a flor magoada com o vento já odeia também/
recusa o beijo do beija-flor/
nem se incomoda mais com o tempo/
nem exala mais perfume
e sucumbe/
entristece o florista/
desdenha das vidas que serão ceifadas /

Naquele dia nenhum pássaro cantou mais
E nenhum gesto escapou às sentenças do alcorão/
Quando foi dado o primeiro tiro/
jornalistas do mundo inteiro contraíram maxilares
história dejavú/
rotos versus militares/
dor/

Era madrugada no Rio
quando os mísseis da América começaram a desabar sobre o Iraque/
Saddam já não lavaria mais as mãos sob torneiras de ouro/
provaria depois da própria forca/
na sentença de noite oculta
verdugos ianques/
nas ruas os tanques/

É sempre assim
quando mandam no mundo as vaidades/
Eclesiásticos/
Homem mata homem///
em Bagdá ou na Rocinha/
e o perfume das flores
serve apenas aos defuntos
que apodrecem/
sob cal e cimento/
ou ao relento/
Lamentos//

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